domingo, 5 de setembro de 2010

Como que andarilhando pela vida...



Estava a divagar esses dias: O que é a vida? Será mesmo a estalagem que nos resta até que chegue a diligência do abismo (nota de Fernando Pessoa)? Nesse momento, uma profunda angústia me assola. Mas a angústia ainda me parece um dos principais fomentos da escrita. Isso talvez me acalme. Talvez não.
Mas hoje a luz do sol brigava vorazmente por uma fresta de céu entre as fartas nuvens que acinzentavam o dia. Horas são viagens e o tempo não tarda. Enclausuramo-nos no tempo; será? Tanta coisa passa pelo nosso corpo e a gente nem sente...
Entre os grãos de areia que pressionavam as minhas pernas, pedindo a passagem a eles negada, um grito de felicidade, um castelinho de areia e um laço de fita, pensei: "Será que já parei para pensar quanta vida há nisso tudo?!"
Minhas mãos tocavam a areia como que em ato de reverência, o mar subia e chegava a meus pés; lá vinha o cheiro de chuva. Já dizia a previsão que o tempo ia mudar. Talvez eu tenha cismado de ir à praia para contrariar a previsão. Talvez para sentir o gosto de chuva e o frio incômodo do vento que sentenciava o veredicto dos "especialistas do tempo" na manhã, quando o sol tímido ainda ousava aparecer.
Será que não somos um tanto tolos de olhar para trás e pensar no que deixamos de fazer, com tantas experiências novas nos sacundindo para a vida de hoje? De contarmos quantos vínculos deixamos pelo caminho, quando tantos outros estão a ser feitos no agora?
Se viver não é isso eu ainda não sei o que é...

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